COMO DIMINUIR O CRIME DE ROUBO

por Edivar Bedin em 01/11/2010
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Em meados de abril de 2007 ao assumir o Comando do 8º Batalhão de Polícia Militar, em Joinville, iniciei as atividades fazendo um diagnóstico da criminalidade. As manchetes nos jornais noticiavam, com frequência, o aumento do número de Homicídios e de roubos que, em sua maioria ocorriam na zona norte de Joinville.  Ouvindo as reclamações, percebi ser o crime de roubo o mais temido dos crimes.

O roubo é planejado, tem invasão de domicílio, agressões ou grave ameaça, deixa sequelas e traumas psicológicos nas vítimas.

Com toda a complexidade que envolve o crime de roubo, ainda assim é um crime que o Estado não dá respostas adequadas. Muitas vítimas sequer têm o seu clamor atendido para o simples registro da Ocorrência.

Por concepção pessoal, para dar uma pronta resposta às vítimas e para consolidar o processo de planejamento, padronizando e disponibilizando em tempo hábil as informações a respeito dos crimes havidos, e ainda, com o fito de orientar constantemente a aplicação do policiamento, criei, em 03 de Julho de 2007 para a área do 8º. Batalhão de Joinville, o que foi denominado de Serviço Pós-Crime.

O Pós-Crime pelo que se sabe, não existe em nenhuma outra cidade ou Estado. É único.

Tem como objetivo geral, fazer o levantamento de informes, coleta de dados e compilação de informações, retiradas de cada uma das ocorrências atendidas. O cruzamento de dados serve para identificar os autores e as suas práticas, através de estudos do modo de atuação de cada criminoso ou grupo. É um trabalho diferenciado e de grande valia na atividade Policial Militar. É em sua maioria, a única resposta e amparo que o cidadão-vítima recebe do Estado.

O mapeamento com a incidência e informações dos crimes de roubo, contribui melhorando a eficácia do policiamento ostensivo.

Havia, até o início do Pós-Crime em Julho de 2007, média de sete roubos em residência por mês.

Em pouco mais de seis meses, no início de 2008, as ocorrências (roubo em residência) foram reduzidas em média, a duas por mês.

O roubo em Estabelecimentos Comerciais em 2005 chegou a 800 por ano. A média mensal era de 46 roubos/mês.

Atualmente a média anual é em torno de 280 e a média mensal, 22 por mês.

Desde o início do ano 2008 até agora, em 2010, só não foi melhor, porque o tempo de resposta e muitas das perseguições, eram lentos.

Hora de inovar. No mês de janeiro de 2010 Policiais Militares receberam treinamentos específicos, no campo das operações especiais de alto risco.

Um mês depois, em Fevereiro, estavam criados e treinados, os grupos – Grupo de Abordagem Tática (GAT) e o Grupo Tático de Abordagem Rápida (GTAR).

O Grupo de Abordagem Tática (GAT) atua em grupo de 05 PMs e utiliza viaturas grandes. A missão principal do GAT denominadas de Operações de Barreiras e/ou Operações Varredura, são feitas para tirar de circulação os criminosos, que acabaram de cometer um delito ou marginais procurados pela justiça, apreender armas e drogas, recuperar objetos e produtos de crime.

A definição do local para instalação de postos de checagem fixos e/ou móveis em vias públicas, leva em conta a incidência de ocorrências policiais, locais de risco e rotas, por onde usualmente circulam marginais. O objetivo é estabelecer controle, fiscalização e inspeção de pessoas, quer estejam embarcadas – automóveis, motocicletas, bicicletas, caminhões ou ônibus – ou a pé.

O Grupo Tático de Abordagem Rápida (GTAR) tem equipes de três homens em três motocicletas de alta cilindrada, atuam principalmente em ocorrências que envolvam criminosos em motocicletas. As patrulhas são em locais de maior índice de criminalidade. Também atuam como força de apoio rápido às demais guarnições de rádio patrulha. .

Os Policiais Militares do GTAR passaram por rigoroso treinamento de táticas e técnicas policiais. Em especial atenção à forma de pilotar, rápida e arrojada, com deslocamentos nos mais variados tipos de terreno, com segurança.

O GAT e o GTAR atuam em locais definidos em levantamentos e estudos das informações pelo PÓS-CRIME.

Não há solução sem planejamento. Não há planejamento sem diagnóstico. O diagnóstico deve ser completo e feito a cada crime cometido, todos os dias.

No diagnóstico devemos buscar respostas: onde, quando, o que, como, com quem e, principalmente, “por quê”.

A Segurança Pública “vive” em crise… eu diria: vive “DA” crise. Acho que é por isso, até agora ninguém procurou saber “por quê” em Joinville a criminalidade (roubos) diminuíram.

Nossos indicadores, por testemunho da imprensa que é quem fiscaliza, estão menores do que todas as cidades do litoral e, menores do que a maioria das cidades de médio porte, do interior.

Tomara que outro Estado adote essa ideia, daí, algum dos nossos “sábios” da Segurança Pública irá até lá para aprender. Ironia? Não, isso já aconteceu antes.

É POSIVEL DIMINUIR O CRIME DE ROUBO – é só querer, ter vontade. Inovar, criar, ir além. Isso pode fazer a diferença. Porém, dá trabalho… muito trabalho.


Categorias: Geral, PÓS-CRIME

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