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PÓS-CRIME – A resposta ao crime de roubo

segunda-feira, junho 30th, 2014
Planilha

Roubos 8.BPM Joinville 2001 a Julho 2011

Dia 28 de Junho de 2014 (anteontem) um Jornal de uma grande rede, com circulação regional publicou que o programa da Polícia Militar reacende discussões sobre a competência das Polícias, embora reconheça seus benefícios. O debate pretendido é a discussão da “legalidade” do serviço prestado, pelo Pós-Crime. A criminalidade e a violência crescem encorajadas pela impunidade e, as vítimas desamparadas em seus choros inúteis, recolhem-se, a clamar por justiça. A sociedade em suas manifestações demonstradas nas pesquisas de Governos, EXIGEM SEGURANÇA, cabe ao Estado atender.

Se um ladrão entrar na casa de alguém, a vítima,  presumidamente DESARMADA terá, depois que o ladrão se for, de ser atendida só por UMA POLÍCIA ESPECÍFICA? Ninguém mais pode tentar identificar os ladrões por meio de descrições e sair imediatamente em sua perseguição, até pegá-lo?  É como se o cidadão só pudesse ser salvo em caso de afogamento na praia, pelo salva-vidas. Como se o incêndio só pudesse ser apagado pelos Bombeiros e, se vítimas de acidentes de carro só pudessem ser socorridas por médicos do SAMU.

Ao atender a ocorrência logo após o crime, com informações que identifiquem o ladrão, a  guarnição PM do Pós-Crime inicia as buscas, só parando quando detiverem o ladrão e o entregarem na DP, juntamente com a vítima.

Não há investigação, não há perícia e a ÚNICA POLÍCIA que dá resposta em caso de roubo ao pedido de socorro é a PM.

A Planilha acima representa a eficiência do Serviço Pós-Crime para a diminuição dos crimes de roubo. O serviço Foi criado por mim em Julho de 2007 exclusivamente para a área do Batalhão que eu comandava, na cidade de Joinville, exclusivamente para combater o crime de roubo, identificando e expondo os ladrões.

Em pouco mais de seis meses, no início de 2008, as ocorrências (roubo em residência) foram reduzidas em média, a duas por mês.

O roubo em Estabelecimentos Comerciais em 2005 chegou a 800 por ano. A média mensal era de 46 roubos/mês.

Atualmente a média anual é em torno de 280 e a média mensal, 22 por mês.

Os resultados demonstram o ano de 2010 com menor índice em dez anos. Um recorde estabelecido. A cidade foi considerada mais segura comparativamente com outras médias e pequenas do Estado. Comandei o Oitavo por quatro anos. Houve nesse período redução de efetivo de 617  para 354 Policiais Militares e, mesmo assim, a redução foi de 62,2% nos roubos a estabelecimentos comerciais e de 72,5% a residências.

No país onde a criminalidade e a violência se alastram ceifando vidas de pessoas, de famílias, consternando comunidades inteiras; onde a sensação de insegurança aumenta ainda mais pela impunidade; onde o povo não pode armar-se para a sua defesa; onde os bandidos tem serviços de plantão em órgãos governamentais, entidades  e associações; o que esperar? o que dizer?

O que esperar de um país onde o crime compensa? (mais…)